Publicado em 13/10/2026 · por Leandro Caldas, vidraceiro, fundador da Routeck e criador da Arena
O primeiro desafio da Arena do Vidro começou com um espelho da Hello Kitty em cima da bancada e uma regra: fazer igual em 1 hora e 30 minutos. O espelho já vinha riscado. O Isaac cortou na Router Glass, que corta o espelho e também o adesivo no laser, mas o adesivo os competidores teriam que recortar na mão. A primeira etapa, antes de qualquer acabamento, era destacar a peça da chapa.
E foi no destaque, coisa que todo vidraceiro faz dezenas de vezes por dia, que o episódio já ensinou a primeira lição. Neste post eu explico como destacar espelho sem lascar, com o que o Vinícius, jurado com 30 anos de vidraçaria, mostrou na bancada.
Um dos competidores contou depois que o nervosismo pegou. Na hora da pressão, esqueceu um detalhe que usa sempre: diminuir as arestas, as bordas em volta do desenho, pra facilitar o destaque. Só lembrou depois. O outro disse que, quando forçou, viu o corte abrindo bem, e que o destaque foi tranquilo pra ele.
Diminuir as arestas quer dizer tirar o excesso de vidro em volta da peça antes de tentar soltar o desenho. Quanto menos vidro sobrando preso na curva, menos força você precisa fazer, e menos risco de o corte "fugir" pra dentro da peça.

O Vinícius explicou com o cortador na mão. Ele tem a cabeça do diamante, que é onde corta, e a parte onde vai o fluido. Muita gente vira o cortador e bate no vidro com a bolinha da ponta pra abrir o risco. No espelho, dependendo de como você bate, essa bolinha pega na espelhação e faz uma mini ostra, uma "borboleta", aquela lasquinha em forma de concha.
O problema não aparece na hora. Aparece depois, quando você vai filetar ou lapidar: a ostra obriga a ficar lixando mais tempo naquele ponto pra sumir com ela. E foi exatamente isso que aconteceu mais tarde no mesmo episódio. Um dos competidores travou na lapidação, e o Vinícius apontou a causa: a ostra veio do bater.
A técnica que o Vinícius usava é o que ele chama de cascudinho. Em vez de bater com o cortador, você usa a mão, por baixo do vidro, dando um soquinho leve de baixo pra cima ao longo do risco. E vai girando a peça enquanto faz isso.
Feito assim, dependendo do molde, a peça solta inteira de uma vez, sem ostra na espelhação e sem trabalho extra na lapidação. No mesmo episódio, mais tarde, a bancada resumiu: com a mão, de baixo pra cima, "não ia acontecer nada".
Na Arena, a Router Glass fez o corte do espelho, e os competidores destacaram na mão. Isso é o dia a dia de quem tem CNC: a máquina risca o desenho com precisão, mas o destaque continua sendo trabalho do vidraceiro. Um jurado comentou que um dos competidores, sem costume com a máquina CNC e com um processo mais manual, foi mais devagar no destaque, mas foi constante. O outro, que destacou primeiro, já tinha a técnica.
| Jeito de abrir o risco | Risco no espelho | Efeito na lapidação |
|---|---|---|
| Bater com a bolinha do cortador | Mini ostra na espelhação | Mais tempo lixando pra tirar a ostra |
| Soquinho leve por baixo, com a mão | Corte abre limpo ao longo do risco | Acabamento normal |
| Forçar sem diminuir as arestas | Corte pode fugir pra dentro da peça | Risco de perder a peça |
O corte com essa parte do episódio está no topo do post, e o EP1 inteiro está na página do episódio. Se você destaca espelho melhor que os dois, a inscrição pra próxima temporada da Arena está aberta aqui no site.
Episódio 1 completo · Arena do Vidro episódio 1: o espelho da Hello Kitty · Router Glass: a máquina que cortou o espelho do desafio
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