Arena do Vidro

Início › Blog

Publicado em 13/10/2026 · por Leandro Caldas, vidraceiro, fundador da Routeck e criador da Arena

Arena do Vidro final: espelho com moldura de metal em 60 minutos

A final da Arena do Vidro começou com o placar quase empatado. O Janael chegou com 21 pontos, o Rômulo com 19 e meio. Depois de três desafios, a diferença era de um ponto e meio, e tudo ia se decidir num episódio só. Os dois já estavam cansados, e eu ainda guardei pra final a prova que mais tirava eles da zona de conforto.

Neste post eu conto como foi a Arena do Vidro final, o episódio 4 da primeira temporada: a regra, as estratégias de cada um, o que deu errado, a decisão dos jurados e quem levou os R$ 10 mil pra casa. O episódio completo está no topo da página.

A regra da Arena do Vidro final

O formato e o tamanho eram livres. Só duas coisas eram obrigatórias: o espelho tinha que ter moldura de metal e tinha que ficar em pé. Pra isso eles tinham metalon, barra chata e uma máquina de solda MIG com gás, daquelas que é só apertar e soldar.

EtapaTempoO que valia
Desenho e plano de corte do metal2 minutosDefinir tamanho, medida e como cortar o metal
Prova60 minutosEspelho cortado, moldura de metal soldada e peça em pé
Ajuda do serralheiro10 minutos, a partir dos 10 minutos de provaRui ou Peterson, mão na massa: lixar, soldar, o que pedissem

Nos dois minutos de planejamento eu cheguei a cobrar os dois: já colocaram tamanho, medida, fizeram o plano de corte do metal? Vocês estão dando mole. Planejar parece perda de tempo quando o relógio está correndo, mas foi justamente o planejamento que separou os dois nessa final.

Arena do Vidro final: espelho com moldura de metal em 60 minutos

Solda pela primeira vez

A ideia da Arena é fazer o vidraceiro fazer o que nunca fez na vida. O Janael só tinha soldado com eletrodo e nunca tinha pegado numa máquina daquela. Quando o Peterson perguntou o que tinha pegado, a resposta foi direta: "Solda, eu não sei fazer. Nenhuma, zero." O Rômulo também nunca tinha soldado com MIG, entendeu a máquina rápido e estava mandando bem.

A diferença veio de como cada um usou a ajuda. O Janael chamou o serralheiro primeiro e escolheu o Peterson. Mas o projeto já estava pronto. O Peterson, que mexe com isso há 10 anos, resumiu: o Janael preparou tudo e deixou só a solda pra ele. Em 10 minutos ele praticamente fez os quadros do espelho. O Janael explicou que a solda era outro ponto fraco dele, e que desde o início planejou o projeto contando com alguém pra soldar.

Onde o Rômulo perdeu tempo

O Rômulo cortou o espelho bem na medida, sem folga. Quando soldou, a solda puxou, a moldura fechou e o espelho não entrava. Correria o risco de trincar. Ele reduziu uns 2 centímetros do espelho, cortou o metalon de novo e passou a soldar por fora, cortando o que sobrasse. Ele mesmo admitiu: sabia que a solda puxa, mas na hora de executar a adrenalina não deixa.

A bancada também apontou a escolha do material. A barra chata parece fácil porque dobra bem, mas é molenga: em pé, ela amassa e cede. O caminho sugerido era montar primeiro a estrutura pesada e usar a barra chata depois, ou colocar uma barra atrás pra apoiar. Nos últimos cinco minutos, o Rômulo ainda pelejava com a moldura enquanto o Janael já finalizava.

A decisão dos jurados e o placar final

Os jurados ficaram mais de 10 minutos discutindo pra chegar numa lógica sem puxar sardinha pra ninguém. O Janael tirou nota 9. O Rômulo, antes de ouvir a dele, falou com sinceridade: o pedido era um espelho em pé, numa moldura, e isso ele entregou, bonito ou feio. Somadas as notas da temporada, o resultado foi este:

  • Placar antes da final: Janael 21 x Rômulo 19,5.
  • Nota do Janael no EP4: 9.
  • Placar final da temporada: Janael 29,37 x Rômulo 27,12.
  • Campeão da primeira temporada: Janael Hipólito, com o prêmio de R$ 10 mil.
  • Segundo lugar: o Rômulo levou um kit de R$ 2.000 em insumos da LED Glass, com borracha, moldura e botão touch, os mesmos itens usados na Arena.

Quando o nome do Janael foi anunciado, eu lembrei do EP1, em que ele viu o próprio espelho ser quebrado: agora era a hora da vingança dele. E o kit do segundo lugar não foi só consolo. Teve até quem dissesse ali, na hora, que com esses dois mil em insumo faz dez mil.

O que a final ensina pra quem trabalha com espelho e metal

  • Moldura soldada pede folga. Deixe alguns milímetros no espelho, porque a solda puxa e a moldura fecha.
  • Estrutura pesada primeiro. A barra chata é boa de dobrar, mas sozinha não segura a peça em pé.
  • Tirar pouco vidro faz dente. Quando precisar tirar uma faixa pequena, tirar uns meio centímetro dá menos dente do que ficar no alicate tirando lasquinha.
  • Planeje em volta do seu ponto fraco. O Janael sabia que não soldava e montou o projeto pra quem soldava.
  • Leia a regra, não o adversário. A exigência era ficar em pé, não ser espelho de corpo inteiro.
Quem ganhou a final da Arena do Vidro?
O Janael Hipólito. Ele fez nota 9 no EP4 e fechou a temporada com 29,37 pontos, contra 27,12 do Rômulo Sullivan, e levou o prêmio de R$ 10 mil.
Qual era o desafio da final?
Em 60 minutos, fazer um espelho no formato e tamanho que quisessem, com moldura de metal e que ficasse em pé. Eles tiveram 2 minutos pra desenhar e fazer o plano de corte do metal e 10 minutos de ajuda de um serralheiro.
O segundo colocado ganhou alguma coisa?
Sim. O Rômulo recebeu um kit de R$ 2.000 em insumos da LED Glass, com itens como borracha, moldura e botão touch.

Assista à final completa e veja quantas decisões foram tomadas no susto. Se você acha que bate o campeão na bancada, mesmo numa prova com metal e solda, a inscrição pra próxima temporada está aberta aqui no site.

Episódio 4 completo: a final · Janael Hipólito: o vidraceiro rápido que levou a Arena · Router Glass: a CNC de corte de espelho da Routeck

Episódio 4

Inscrição

Quer desafiar o campeão e ganhar R$ 10 mil?

Quer participar da próxima temporada? Preencha os dados: a produção fala com os selecionados pelo WhatsApp.

Seus dados são usados só pelo contato da produção da Arena do Vidro.