Publicado em 19/10/2026 · por Leandro Caldas, vidraceiro, fundador da Routeck e criador da Arena
Na final da primeira temporada da Arena do Vidro, o placar fechou em 29,37 a 27,12. O Janael levou os 10 mil reais. Mas eu não ia deixar o Rômulo sair de mão vazia: o segundo colocado ganhou um prêmio de consolação, quase uma cesta de Natal, presente da LED Glass. Um kit de R$ 2.000 em insumos, com borracha, moldura e botão touch, as mesmas coisas que os competidores usaram na Arena. O botão touch do espelho LED estava lá dentro, e é dele que eu quero falar aqui.
O kit estava pesado, tinha muita coisa. E o Rômulo respondeu na hora, com a frase que mais me marcou no episódio: "Com esses dois mil em prêmio, eu faço 10 mil." Isso é cabeça de vidraceiro. Insumo não é custo parado na prateleira, é espelho vendido. Então vamos ao que interessa: como usar bem esse material, começando pelo botão touch.
O botão touch é um sensor que fica colado atrás do espelho e liga e desliga a fita de LED quando a pessoa encosta o dedo no vidro. Não tem interruptor na parede, não tem botão saltado, não tem fio aparecendo. Para o cliente final, é isso que faz o espelho parecer de loja. Dependendo do modelo, o mesmo toque também regula a intensidade da luz (segurando o dedo) ou troca a cor do branco, entre frio, neutro e quente.
Ele trabalha na baixa tensão: fica entre a fonte e a fita de LED. A fonte recebe a energia da tomada, entrega a tensão da fita, e o sensor corta ou libera essa energia. Por isso o botão tem que ser compatível com a tensão da fita e aguentar a corrente que ela puxa. Fita comprida demais num sensor fraco é pedido de garantia.

A espessura do espelho também conta. Cada sensor tem uma espessura máxima de vidro em que ele lê o toque, e quem informa isso é o fabricante. Confira antes de montar, principalmente se o projeto for em espelho mais grosso.
Os outros itens do kit são os que dão cara de produto pronto. A borracha de acabamento abraça a borda do espelho, protege a lapidação de pancada e esconde pequenas imperfeições do corte. A moldura segura o espelho, esconde a fita, a fonte e os fios, e define o estilo da peça. No espelho de LED, a luz sai pelo jato ou por trás, e o que o cliente toca e olha de perto é a borda, a moldura e o botão. Se um desses três estiver mal feito, o espelho inteiro parece barato.
| Item do kit | Pra que serve | Erro comum |
|---|---|---|
| Botão touch | liga, desliga e, em alguns modelos, regula a luz pelo toque no vidro | sensor mal colado ou fraco pra fita |
| Borracha | acabamento e proteção da borda | emendar torto e deixar a junta à vista |
| Moldura | esconde fita, fonte e fios e dá o estilo | fechar antes de testar o LED |
Eu não vou inventar a conta do Rômulo, porque ele não abriu os números. Mas o raciocínio é o certo, e qualquer vidraçaria pode fazer o mesmo. Pegue o insumo que você tem e divida por peça: quanto de borracha, quantos botões, quantas molduras saem por espelho. Some o espelho, o LED, a fonte e o seu tempo. Isso é o custo de cada espelho de LED. O preço de venda vem do valor que o cliente enxerga, e é justamente o acabamento que puxa esse valor pra cima.
O espelho com botão touch, borda bem acabada e moldura limpa não disputa preço com espelho comum. Ele vende como peça de decoração. É aí que dois mil de insumo bem usado viram muito mais em venda. E foi isso que o Rômulo enxergou em cima do palco, cansado, logo depois de perder a final por pouco mais de dois pontos.
A final completa está no topo do post, com a entrega do kit e a frase do Rômulo. Se você trabalha com espelho de LED e quer jatear a faixa de luz e o ícone do botão sem sujeira na oficina, dá uma olhada na Jateck no link abaixo, e me chama no WhatsApp que eu te explico.
Episódio 4 completo: a final · Rômulo Sullivan, da Monte Glass · Jateck
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