Publicado em 14/10/2026 · por Leandro Caldas, vidraceiro, fundador da Routeck e criador da Arena
O outro lado da final da Arena do Vidro foi o Rômulo Sullivan, dono da Monte Glass. Cinco anos de vidraçaria, mão firme no trabalho manual e uma constância que os jurados elogiaram desde o primeiro episódio. Ele venceu o EP1, disputou ponto a ponto até a última prova e terminou a temporada com 27,12 contra 29,37 do campeão.
Neste post eu conto quem é o Rômulo, de onde vem o nome da Monte Glass e o que o jeito dele de trabalhar ensina pra quem tem vidraçaria pequena e quer crescer.
No EP2, o Rômulo se apresentou assim: começou na área há mais ou menos cinco anos, "no momento que eu mais precisava de uma virada de chave na área financeira". O nome da empresa vem da Bíblia, do Salmo 121: "Elevo os meus olhos para o monte, de onde vem o meu socorro? O meu socorro vem do Senhor." Daí Monte Glass.
Ele agradeceu primeiro a Deus, depois à família, e disse que eu sou uma referência pra ele hoje. Fico honrado, mas na Arena não teve colher de chá: ele entrou dizendo que veio pra ganhar e brigou por cada ponto.

A fala que mais me marcou do Rômulo foi sobre o ponto fraco dele. "Essa questão do corte eu não tenho muita desenvoltura, mas já sei dessa minha limitação." Por isso, na Monte Glass, ele tem vários gabaritos que ele mesmo fabricou, e usa muito pra cortes orgânicos com curva acentuada.
No EP1, sem os gabaritos dele, tentou fazer o laço da Hello Kitty na mão e viu que não ia dar certo. Então montou ali na hora uma réplica simples do gabarito e conseguiu fazer o corte. É uma lição pra qualquer vidraçaria: se você sabe onde erra, crie um recurso pra não depender só da mão naquele ponto.
| Episódio | Momento do Rômulo |
|---|---|
| EP1 | Quase quebrou o espelho na lapidação da curva, pediu ajuda ao Vinícius e salvou a peça. Venceu com 7,5 e quebrou o espelho do adversário. |
| EP2 | Foi de moldura flexível pra não precisar lapidar. Vendeu na rua por R$ 20 em 3 minutos e 7 segundos. Placar: 19,5 contra 21. |
| EP3 | Chegou mais perto do molde, mas o espelho trincou no destaque. A bancada deu empate. |
| EP4 | Cortou o espelho sem folga, a solda puxou a moldura e ele teve que refazer. Terminou com 27,12. |
Na final, ele foi honesto: "cara, eu acho que eu pequei". Sabia que a solda puxa, cortou o espelho bem certo na medida e não deixou folga. Mesmo assim entregou o espelho em pé, dentro da regra. E levou pra casa o prêmio de consolação, um kit de R$ 2.000 em insumos da LED Glass, com uma frase que diz muito sobre ele: "Com esses dois mil em prêmio, eu faço 10 mil."
Cinco anos de ramo é pouco tempo pra quem chegou a uma final contra um vidraceiro de oito. O que segurou o Rômulo foi método: gabarito pro que ele não domina, tiras de adesivo pra trabalhar sozinho, ritmo constante sem atropelar. Vidraçaria pequena cresce assim, transformando o ponto fraco em processo.
A apresentação do Rômulo abre o EP2, que está no topo deste post. E se você também tem uma vidraçaria e quer mostrar seu método na bancada, a inscrição pra próxima temporada está aberta aqui no site.
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