Publicado em 20/10/2026 · por Leandro Caldas, vidraceiro, fundador da Routeck e criador da Arena
Medida de espelho com moldura é uma conta que parece simples e derruba gente boa: o espelho tem que caber no quadro, e o quadro muda de tamanho depois de soldado. Na final da Arena do Vidro, o Rômulo deixou o metalon muito justo pro espelho, a solda puxou e o vidro não entrou. Com o relógio correndo, ele fez a única coisa possível: cortou cerca de 2 cm do espelho, redimensionou o projeto e entregou.
Este post é sobre essa decisão. Primeiro a física do problema, por que a solda puxa e quanto de folga o metal pede. Depois a parte que eu acho mais valiosa do episódio: como redimensionar no meio do projeto sem perder o prazo nem a cabeça. O vídeo da final está aqui em cima.
Quando você solda metalon, o cordão de solda esquenta, derrete e depois esfria. Ao esfriar ele encolhe, e esse encolhimento puxa as duas barras uma pra outra. Num quadro de quatro cantos, cada canto puxa um pouco pra dentro, e o vão interno fica alguns milímetros menor do que você mediu antes de soldar. O Rômulo sabia disso. Ele mesmo disse na avaliação: "eu pequei; sei que a solda puxa; podia ter deixado alguns milímetros a mais". Saber e aplicar sob pressão são coisas diferentes, e é isso que a final mostrou.

Ele tinha 60 minutos, um quadro já soldado e um espelho que não cabia. Refazer o metal era cortar o metalon de novo, soldar de novo e esperar esfriar, com o Janael já montando a peça dele do outro lado. Cortar o espelho era um risco e um destaque. Ele escolheu o espelho, tirou cerca de 2 cm, e recalculou o resto do projeto pra nova medida. A peça ficou em pé, como a regra pedia, e foi avaliada inteira. Ele perdeu ponto pelo acabamento, não pela decisão.
Na vidraçaria é a mesma conta todo dia. Quando uma parte do projeto não bate, você mede o custo de refazer cada lado: tempo, material e o que o cliente vai notar. Quase sempre é mais barato tirar um pouco do espelho do que mexer na moldura, desde que o novo tamanho ainda atenda o que o cliente pediu. Dois centímetros num espelho de corpo inteiro ninguém vê. Um prazo estourado todo mundo vê.
O Janael nunca tinha soldado MIG e usou a ajuda liberada dos jurados: o Rui soldou o quadro dele em menos de 10 minutos. O Peterson tinha dito que começaria pela platina, a barra chata fina. O próprio Rômulo comentou que a barra chata fininha engana: boa de dobrar, mas molenga. Cada metal pede uma folga e um cuidado, e isso eu explico melhor no post sobre barra chata ou metalon, que está nos links.
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Episódio 4 completo: a final · Barra chata ou metalon na moldura de espelho · Espelho de chão: o que a regra da final exige · Rômulo Sullivan, da Monte Glass
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