Publicado em 15/10/2026 · por Leandro Caldas, vidraceiro, fundador da Routeck e criador da Arena
Num reality de vidraceiros, quem julga tem que saber fazer. Por isso a bancada da Arena do Vidro tem quatro jurados que vivem de vidro e metal no dia a dia. E pra deixar tudo espontâneo, nem eles sabiam os desafios antes: descobriram junto com os competidores, na hora.
Quem assistiu à primeira temporada viu que a bancada não aliviou pra ninguém. Neste post eu apresento cada jurado, conto o que cada um olha num espelho e mostro como a bancada chegou às notas.
O Vinícius veio do Rio de Janeiro pra Belo Horizonte pra gravar. São 30 anos de vidraçaria, vidraceiro raiz, velho de guerra. Foi ele que explicou no EP1 a "ostra" que a bolinha do cortador faz na espelhação e a técnica do soquinho de baixo pra cima pra destacar. Também foi ele que salvou a lapidação do Rômulo quando a máquina trepidou: mandou reduzir a aceleração e a inclinação.
Na avaliação, é o jurado mais marrento. A dele começa com uma pergunta: "Você compraria o que você fez?". E no EP3 deixou uma frase que vale pra qualquer vidraceiro: se os dois tivessem colocado em prática pelo menos 10% do que a bancada falou desde cedo, o resultado teria sido outro.

O Natan é peruano e julga em espanhol. No EP1, foi ele que deu o 6 ao Janael com a frase que virou trailer: "a pressão te jogou contra". Reconheceu que ele teve um bom tempo no início, mas que os nervos não deixaram resolver o problema do laço.
No EP2, disse que, se tivesse que comprar um dos dois espelhos, comprava o do Janael. E ainda ensinou uma técnica de fechamento de venda que usa no negócio dele. No EP3, mostrou onde o corte errou: faltou medir nos três pontos mais importantes antes de fazer as curvas. E a crítica dele chega, em qualquer idioma: no EP1, um dos competidores disse que "mesmo em espanhol" sentiu a alfinetada.
O Rui é o mais duro nas notas. No EP1 abriu a avaliação assim: "a única coisa que está parecida é o corte, e não foi você que fez, foi a máquina". Contorno, medida de fora, largura do jato, botão: tudo foi comparado com o modelo. No EP3, tirou um paquímetro do bolso pra medir qual corte tinha ficado mais perto do molde.
Na final, o Rui mostrou o outro lado: especialista em serralheria, era um dos dois que podiam dar 10 minutos de ajuda na solda. Com menos de 10 minutos, soldou o quadro do espelho do Rômulo e partiu pro pé.
O Pet, o Peterson, é parceiro nosso e também especialista em serralheria, com 10 anos mexendo com isso. Na bancada, olha a fidelidade à proposta e a evolução de cada um. No meio do EP1, leu a prova como poucos: viu que o Janael começou rápido e tinha a técnica do destaque, e que o Rômulo, sem costume com CNC e com um processo mais manual, era mais devagar, mas constante. No EP1 disse ao Rômulo que ele tinha sido mais fiel ao modelo, com o laço e a barbinha da Hello Kitty. No EP2 valorizou quem arriscou dois processos e entregou.
Na final, foi o Peterson que o Janael chamou pra ajudar na solda. E foi ele, o Paizão, que anunciou as notas que decidiram a temporada.
O EP1, onde a bancada aparece pela primeira vez, está no topo deste post. E se você quer ouvir a pergunta do Vinícius sobre o seu próprio espelho, a inscrição pra próxima temporada está aberta aqui no site.
Episódio 1 completo · Episódio 4: a final · Rômulo Sullivan e a Monte Glass · Router Glass: a máquina do corte que o Rui comparou
Inscrição
Quer participar da próxima temporada? Preencha os dados: a produção fala com os selecionados pelo WhatsApp.