Publicado em 01/11/2026 · por Leandro Caldas, vidraceiro, fundador da Routeck e criador da Arena
Alicate para vidro resolve muita coisa na bancada, mas tem uma armadilha que todo vidraceiro já caiu: tirar uma faixa fina demais. Na final da Arena do Vidro isso aconteceu na frente das câmeras. O espelho precisou perder um pedacinho muito pequeno, o corte não abriu inteiro, a peça foi pro alicate e a borda ficou cheia de dente. Daí pra frente, foi lixa.
Neste post eu explico o que aconteceu, por que faixa fina dá dente e qual foi a regra que saiu da bancada: deixar pelo menos meio centímetro pra tirar. O episódio completo está no vídeo aqui em cima.
A prova era um espelho com moldura de metal que ficasse em pé, em 60 minutos. No meio do caminho o espelho do Janael precisou de um ajuste pequeno na medida. Ele riscou, mas a faixa que tinha que sair era estreita demais pra destacar de uma vez. Foi pro alicate, tirando aos pouquinhos, e a borda ficou serrilhada.
Na bancada o comentário foi direto: ele teria que tirar meio centímetro. Toda vez que você tira pouco, dá aquilo. A recomendação foi tirar maior, deixar pelo menos uns meio centímetro pra sair. Com a borda cheia de dente, o jeito foi “comer a lixa” pra lapidar aquele vidro e não perder a peça.


Isso é conhecimento de bancada, não número de laboratório. O risco do diamante só abre limpo quando você consegue fazer alavanca dos dois lados dele. Com uma faixa larga, a parte que sai tem corpo, a força se distribui e a trinca corre reto pelo risco.
Com uma faixa de poucos milímetros não tem onde segurar. Você aperta com o alicate num ponto, o vidro quebra só ali e a trinca foge do risco. Repete isso ao longo da borda e o resultado é a fileira de dentes que apareceu na final. Cada dente depois vira trabalho de lixa ou de lapidadora.

Muita borda feia nasce no jeito de bater o corte. No EP1, o Vinícius, jurado com 30 anos de vidraçaria, explicou que bater com a bolinha do diamante pode fazer uma “mini ostra” na espelhação, e isso cobra tempo depois, na hora de filetar e lixar. A técnica dele era o soquinho leve, de baixo pra cima, girando a peça até abrir o corte todo, e só depois destacar.
Juntando as duas lições: corte bem aberto, faixa com corpo pra fazer alavanca, alicate pra destacar. Assim a borda já sai quase pronta.
Quando o dente já está lá, sobra a lixa. Foi o que salvou a peça na final. Lixe sempre com água, pra não levantar pó de vidro e não esquentar a borda. Trabalhe ao longo da borda, não atravessado, até tirar os dentes maiores, e quebre a quina viva pra ninguém se cortar na instalação. Com a moldura de metal cobrindo a borda, dá pra entregar. Em espelho de borda aparente, o acabamento de verdade é na lapidadora.
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Episódio 4 completo · Como destacar espelho sem lascar · Como lapidar espelho com curva sem quebrar · A final da Arena do Vidro · Decor Espelharia: espelho sob medida em BH
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